domingo, 28 de junho de 2009

A Semana na CCJ

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), aprovou nesta terça-feira (23), a emenda substitutiva geral sobre a proibição do fumo em recinto coletivo fechado, no estado do Paraná, redigida e relatada pelo deputado Reni Pereira (PSB).

A emenda é uma proposta de substituição aos projetos de lei 388/08, 147/09 e 276/09, de autoria, respectivamente, dos deputados Luiz Claudio Romanelli (PMDB), Antonio Belinati (PP) e do Poder Executivo, que seriam anexadas ao projeto de lei nº 243/08, do deputado Stephanes Junior (PMDB), o primeiro a tratar do assunto no âmbito da ALEP.

Apesar da aprovação, o projeto foi bastante discutido durante a sessão. O deputado Caíto Quintana (PMDB), que manifestou voto de abstenção, fez severas críticas a rigidez da lei, argumentando que o direito de quem não fuma estava sendo transformado em punição para quem fuma, pois a lei praticamente impede o individuo de fumar, ferindo o direito à liberdade, garantida pelo o artigo 5º da constituição federal.

Em seguida, o deputado Stephanes Junior (PMDB), aproveitou o comentário de seu colega de partido para lembrar que a lei por ele proposta respeitava a liberdade de quem fuma, pois propunha a criação de ambientes especias para o fumante nos estabelecimentos coletivos, e adiantou ainda que fará uma emenda em plenário para garantir esse direito aos fumantes.

Ainda em discussão, a deputada Roseane Ferreira (PV), colocou que essa lei deve ser discutida profundamente em plenário, no sentido de refletir sobre os gastos do SUS com tratamentos para doenças relacionadas ao fumo, e também sobre as condições do cultivo e dos plantadores de fumo no estado do Paraná.

Para concluir a discussão, Reni Pereira esclareceu que a lei se aplica aos espaços coletivos, com o objetivo de proteger a saúde de quem não fuma, e que os fumantes poderão continuar com seu hábito desde que em espaços especialmente reservados para o fumo. Completou ainda dizendo que espera que o consumo de fumo no Paraná diminua com esta medida.

Roberta Picussa

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Novo coordenador da bancada paranaense.

Novo coordenador da bancada paranaense.

No dia 18 de junho, quinta-feira, o Deputado Alex Canziani (PTB) foi eleito, pelos representantes do legislativo federal, coordenador da bancada paranaense. O Deputado do PTB foi eleito no lugar de Dilceu Sperafico (PT), que deixa o cargo depois de um ano como coordenador. Como representante dos 30 Deputados Federais e 3 senadores do Paraná, Canziani ficará responsável por todo o posicionamento da bancada frente o Congresso Nacional e pela apesentação das emendas dos parlamentares paranaenses na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo a assessoria de Canziani, o deputado trabalhará junto ao governo federal para garantir o mínimo da execução das emendas apresentas na LDO; o empenho na liberação de recursos para a realização dos jogos da copa do mundo, que ocorrerão em Curitiba; e numa maior aproximação dos Deputados e Senadores paranaenses com o governador de Roberto Requião.

Francis Augusto Góes Ricken (23/06/2009)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A semana na CCJ

O projeto de lei que concede 180 dias de licença maternidade às gestantes servidores públicas do Paraná, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (16), após receber parecer favorável do relator Douglas Fabrício (PPS).

O deputado Reni Pereira (PSB) manifestou voto de abstenção alegando inconstitucionalidadade da matéria, pois lembrou que o projeto não contemplava as servidoras militares e, portanto, não se pautava pelo princípio da igualdade garantido na constituição.

A colocação foi considerada oportuna pelos demais membros da CCJ, fazendo com que os deputados membros da comissão concordassem que a lei deveria ser complementada, para incluir também as servidoras militares.

Ainda na discussão do projeto, o deputado Luis Claúdio Romanelli (PMDB), ressaltou a importância do tema e lembrou a iniciativa dos deputados Elton Welter (PT) e Luciana Rafagnin (PT), que trouxeram o tema para discussão na ALEP. Mas reiterou que a autoria do projeto pertencia ao Poder Executivo, pois não é permitido aos parlamentares criar leis que acarretem despesas para o Poder Executivo.

O deputado Tadeu Veneri (PT), discordou de Romanelli, argumentando que é competência dos deputados legislar também sobre o orçamento e que eles efetivamente legislam sobre o assunto. Ambos alegaram estar pautados pela Constituição, gerando dúvidas sobre a quem caberia a autoria do projeto.

Ainda na mesma reunião,o projeto de lei da deputada Cida Borghetti (PP), que propunha um acréscimo de 25% no salário das funcionárias públicas com 25 anos de exercício, recebeu parecer contrário do relator Nereu Moura (PMDB). Mais uma vez Romanelli retificou que a alteração no estatuto dos servidores públicos estaduais é prerrogativa do Poder Executivo.

Observando essas controvérsias, a impressão é que não há consenso e clareza sobre a constitucionalidade das emendas orçamentarias no âmbito do Legislativo. Recentemente, por ocasião da votação do reajuste salarial dos servidores públicos, as emendas dessa categoria foram apreciadas, apesar de terem sido rejeitadas.

O erro dos deputados em apresentarem as emendas foi ressaltado pelo deputado Jocelito Canto (PTB), e posteriormente reconhecido pela Mesa Executiva. Entretanto, o exemplo da última sessão da CCJ demonstra que discussões sobre esse tema ainda suscitam controvérsia entre os deputados, não havendo muito consenso entre os representates sobre o que é ou não "constitucional".

Roberta Picussa

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dinamite na ALEP

Quem substituirá Ribas Carli Filho na cadeira de deputado estadual será Mário Roque, que ficou conhecido durante a campanha eleitoral por transformar o Youtube numa espécie de "Hyde Park Virtual", ao lançar vários libelos por essa mídia contra o governador Requião. Clique nos links abaixo para relembrar os melhores momentos (SSB).

Dinamite 1
Dinamite 2

Governo Lula: grupos concentram seus esforços no Executivo

Lobistas dizem que na gestão petista o Estado recuperou a influência perdida com as privatizações e a descentralização administrativa promovidas por FHC

Atraídos para o Congresso Nacional por conta da CPI da Petrobras, os grandes lobistas reduziram o espaço do Legislativo em suas agendas desde a chegada de Lula ao poder e passaram a focar cada vez mais seu trabalho no Poder Executivo.

O motivo, na definição de um lobista de grande empreiteira, é que no estilo de governar petista o Executivo é o todo-poderoso e o Parlamento está no chão, perdendo espaço também para o Tribunal de Contas da União.

Profissionais do lobby em Brasília relatam que, no governo Fernando Henrique Cardoso, o Congresso tinha mais poder, fruto de uma base aliada mais unida e da opção tucana por reduzir o tamanho e a influência do Estado. Na era FHC, por exemplo, a privatização fez desaparecer a disputa política pelas diretorias das 27 companhias telefônicas do Sistema Telebras. E a criação das agências reguladoras retirou poder dos ministérios.

A situação se inverte ao longo do mandato do presidente Lula, que adota um estilo centralizador, controlador e planejador dentro do governo. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é citado como exemplo desse modo de governar do período Lula.

Centralizado na Casa Civil da ministra Dilma Rousseff, pré-candidata de Lula à sucessão, o PAC garante mais rapidez na liberação dos pagamentos. Lobistas de empreiteiras e governadores gravitam em torno do Planalto buscando a inclusão desta ou daquela obra.

Além disso, os lobistas fazem referências a grandes negócios incentivados pelo governo dentro de uma filosofia de que o Estado deve interferir nos negócios privados visando o crescimento econômico.

Nessa lista estão a fusão da Telemar com a Brasil Telecom, a compra da Varig pela Gol e a escolha do padrão digital japonês na televisão brasileira, que contou com lobby aberto das empresas brasileiras por esse sistema. Em todos os casos os negócios foram discutidos dentro do Planalto, alguns com mudanças de regras federais para serem concluídos e interferências nas agências reguladoras dos setores.

Essa é, na visão de lobistas, uma tendência que deve se espalhar pelo mundo desenvolvido pós-crise global. Perderam espaço os neoliberais dos EUA, que defendem o Estado mínimo, e ganharam força os defensores da intervenção estatal. Algo inimaginável no passado recente ocorreu: a estatização da montadora General Motors. Assinante do jornal leia mais em: Governo Lula: grupos concentram seus esforços no Executivo

Fonte: Blog do Noblat

sábado, 6 de junho de 2009

Texto do dia: Fuks (1998)

Segue abaixo um texto muito útil para análise de estudos de caso de processo decisório no legislativo, especialmente aqueles que envolvem debate ou controvérsia pública. Em breve, postaremos aqui uma aplicação desse modelo à analise de um PTD da Assembléia Paranaense. O Prof. Mário Fuks é um telentoso pesquisador que já foi professor da UFPR e, atualmente, leciona e pesquisa no DCP/UFMG. Leitura altamente recomendável. (porque la vida es gratis).

FUKS, Mario. Arenas de Ação e Debate Públicos: Conflitos Ambientais e a Emergência do Meio Ambiente enquanto Problema Social no Rio de Janeiro. Dados [online]. 1998, vol.41, n.1 ISSN 0011-5258. doi: 10.1590/S0011-52581998000100003.

Based on analysis of legal disputes and of disagreements surrounding the definition of public matters and social issues, the article investigates how the question of the environment is being framed as a social issue in Rio de Janeiro. After tracing the profile of legal cases, the text examines the environmental arguments developed within the context of these conflicts. A description of "interpretive packages" put forward by the actors involved in the disputes serves as basis for an inventory of competing views of the environment expressed in the arenas of public action and debate in Rio.

Keywords : social issues; public debate; argumentation resources; environment.

A agenda do Executivo

Seguem abaixo alguns dos principais pontos que farão parte da agenda do Executivo paranaense na próxima semana, e que poderão ser objeto de debate na ALEP.

O cardápio é farto: além do PL dos PMS, há a ampliação da licença maternidade para as funcionárias públicas, o seguro rural aos produtores, um clone da "lei Aldo Rebelo" etc. etc.

Acompanhemos. (SSB - sujeito à revisão)

Virou coqueluche
Paraná-Online (Assinatura) - Curitiba,PR,Brazil
Afinal, é preciso compreender a expectativa dos paranaenses que é a da superação de estilos eivados de populismo e outros ranços que Requião e sua trupe ...
Servidora poderá ter licença de 180 dias
O Diário do Norte do Paraná - Maringá,PR,Brazil
O governador Roberto Requião enviou ontem à Assembleia Legislativa anteprojeto de lei que estende de quatro para seis meses a licença-maternidade das ...
Requião quer obrigar tradução de propagandas
Bem Parana - Curitiba,PR,Brazil
O governador Roberto Requião encaminhou nesta sexta-feira (5) à Assembleia Legislativa anteprojeto de lei que torna obrigatória a tradução de propagandas ...
Assembleia vai votar na próxima semana seguro rural a produtores ...
Jornale Curitiba - Curitiba,Paraná,Brazil
A Assembleia Legislativa vota na próxima semana projeto de lei do governador Roberto Requião que cria o seguro rural e que atenderá 15 mil produtores de ...
Pasmem, senhores
Paraná-Online (Assinatura) - Curitiba,PR,Brazil
Em 2007, o aumento da dívida pública do Estado foi de 16,9%, o que significa que cumulativamente em apenas um mandato do Requião a dívida pública do Paraná ...
Governo mantém gastos sem licitação
Bem Parana - Curitiba,PR,Brazil
Informação extra-oficial também vazada do relatório preliminar do Tribunal de Contas sobre a contabilidade do governo Requião em 2008 aponta que a ...
Nova ferrovia Guarapuava-Paranaguá será apresentada na Escola de ...
Correio do Litoral - Guaratuba,Paraná,Brazil
O governador Roberto Requião determinou que a empresa convide os setores produtivos, de engenharia, dos trabalhadores das regiões beneficiadas (Oeste, ...
AL recebe projeto de ampliação da licença-maternidade
Paraná-Online (Assinatura) - Curitiba,PR,Brazil
A proposta foi encaminhada ontem, 5, à Assembleia Legislativa, pelo governador Roberto Requião (PMDB). De acordo com as informações divulgadas pela ...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sinal de briga na ALEP.

Uma proposição que promete causar grande celeuma na ALEP na próxima semana e a MSG abaixo do Executivo. Aguardemos a tramitação, que promete esquentar o clima na Assembleía. Qual será a intenção do governador ao enviar esse projeto à ALEP? (SSB - sujeito a revisão).

Governo quer policiais militares como seguranças

Mara Andrich


Convocar policiais militares da reserva para trabalhar na segurança de órgãos públicos, escolas estaduais, postos de saúde e hospitais. Esta é a intenção do governo do Paraná, expressada numa mensagem enviada para a Assembleia Legislativa.

No entanto, a ideia está causando muita polêmica pois, segundo o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e região, se aprovada, a lei poderá tirar o emprego de cerca de 6.800 vigilantes.

A mensagem, transformada no Projeto de Lei 244/2009, aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça e somente depois disso será possível saber se irá para outras Comissões ou direto ao plenário para votação. Para o presidente do Sindicato dos Vigilantes, João Soares, o projeto é inconstitucional.

“O projeto fere a constituição estadual e também princípios da moralidade, pois estes policiais já são aposentados, já prestaram serviço ao Estado, e ainda vão ganhar uma gratificação de R$ 1.300”, destacou.

Soares também ressaltou que vigilantes e policiais militares têm preparo diferentes, o que pode ser perigoso para a segurança destes órgãos. “O vigilante deve prevenir, e o policial militar é treinado para reprimir. Basta lembrar de quantos policiais militares morrem fazendo bico de vigilantes”, disse.


Soares informou que o sindicato já está conversando com os deputados, na tentativa de sensibilizá-los, e ainda pedirá uma audiência pública na Assembleia para discutir o assunto.

O presidente da Sociedade Beneficente dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Paraná entidade que representa parte dos policiais do Estado - Davi D’Almeida, afirmou que ainda não tem conhecimento dos detalhes do projeto, mas já percebeu que conflitos vão acontecer.

“Ainda não podemos dizer se somos contra ou a favor do projeto, pois ainda não o conhecemos por inteiro, mas a primeira pergunta que fazemos é quem seria o patrão desses policiais? Outras questões como qual seria o posto que ocupariam, ou mesmo quanto receberiam por cada atividade, ainda precisam ser esclarecidas”, argumentou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da PM do Paraná para saber qual a posição da corporação sobre o assunto, mas não obteve retorno. A íntegra do projeto pode ser vista na página da Assembleia na internet,www.alep.pr.gov.br.

Fonte: O Estado do Paraná


Votação nominal do PL de Anistia na ALEP

O Projeto de Lei N.496/08, de autoria da mesa executiva, que concede anistia aos servidores públicos que foram demitidos por motivos políticos na décade de 80, foi aprovado em primeira discussão na sessão plenária desta terça-feira (2).

Antes da votação, os líderes da oposição e do governo, respectivamente Elio Rusch (DEM) e Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), discutiram sobre o conteúdo do projeto, mas entraram em acordo e sugeriram aos parlamentares de suas bancadas que votassem pela constitucionalidade do PL. Dos 36 deputados presentes na hora do votação, 31 votaram favoravelmente, 4 optaram pela abstenção e somente o deputado Reni Pereira (PSB) votou contra.

O projeto segue ainda para revisão na Comissão de Finanças, e voltará ao Plenário em 2ª discussão somente após receber parecer da mesma.

(Andre Becher & Roberta Picussa)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Assembleia aprova a criação do Instituto das Águas do Paraná

A nova autarquia será vinculada a Secretaria de Meio Ambiente e substitui a Suderhsa
02/06/09 às 18:30 | AEN

A Assembleia Legislativa aprovou, nesta terça-feira (2), em primeira discussão, o projeto de lei do governador Roberto Requião que prevê a criação do Instituto das Águas do Paraná. A nova autarquia será vinculada a Secretaria de Meio Ambiente e substitui a Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental).

Serão necessárias mais três votações para o projeto seguir para sanção do governador. Deputados da oposição já adiantaram que vão propor emendas durante a segunda discussão do projeto, nesta quarta-feira (3). O projeto já teve parecer favorável na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e na Comissão de Ecologia e Meio Ambiente - que apresentou cinco emendas, acatadas pela CCJ – e aguarda ainda parecer da Comissão de Finanças.

Segundo o relator do projeto na CCJ, deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), a estrutura proposta para o instituto privilegia a gestão pública das águas. “A gestão do patrimônio público água somente é possível se os interesses públicos sobrepuserem os econômicos de caráter privado”, disse.

“É um avanço na gestão pública dos recursos hídricos – em que o Paraná tem sido referência no Brasil. O Paraná é o único estado cuja Constituição afirma que a água é um bem público e inalienável comercialmente. O instituto fortalece, reestrutura todo o sistema estadual de gerenciamento dos recursos hídricos e trará maior eficiência na fiscalização das águas”, explica Romanelli, no parecer.

SUDERHSA - Ainda de acordo com o parecer de Romanelli, o Instituto das Águas será responsável pelo monitoramento da qualidade e quantidade dos recursos hídricos, difusão de informações, elaboração e implantação dos planos de bacias hidrográficas, funcionamento dos comitês de bacias. O instituto atuará de forma integrada com setores que demandam recursos hídricos em seus processos - como na agricultura e na indústria.

O instituto realizará ainda, segundo Romanelli, a interação com demais políticas públicas, especialmente com as recentes diretrizes nacionais para o saneamento básico. O projeto ainda prevê, em seu artigo 6º, a transferência ao instituto das atribuições, cargos e servidores da Suderhsa. “Para o fortalecimento da gestão das águas é necessária a extinção da Suderhsa, com a criação de uma nova estrutura organizacional capaz de fazer cumprir com as atribuições previstas em lei.”

BACIAS - A criação do instituto vai possibilitar a interação entre as políticas de saneamento, estabelecida pela lei federal n.º 11.445, e de recursos hídricos. “A nova legislação de saneamento básico estipula a integração das infraestruturas e serviços com a gestão eficiente dos recursos hídricos e a unidade de planejamento para o saneamento básico é a bacia hidrográfica”, explica Romanelli.

O deputado diz ainda no seu relatório que além de adotar a bacia hidrográfica como unidade de planejamento, o plano de saneamento básico deverá ser compatível com o plano de bacia hidrográfica. “Mais uma vez o Paraná poderá avançar, integrando a política de recursos hídricos com a de saneamento, buscando um arranjo institucional legal, compatível às diretrizes nacionais e estaduais”.

INTERAÇÃO - O instituto atuará regionalmente com os planos, gerências e comitês de bacias hidrográficas. “A implementação dos instrumentos de gestão das águas é decorrente da modernização e eficiência dos serviços públicos. O Paraná foi um dos primeiros estados a implementar a outorga pelo uso das águas e recentemente também pelo lançamento de efluentes”.

O Instituto das Águas terá como atribuição ainda o controle do uso das águas superficiais e subterrâneas com a fiscalização em campo executados pelas gerências de bacias em parceria com a Polícia Ambiental. “A interação da política de recursos hídricos com a política de saneamento possui aspectos comuns no planejamento e implementação dos serviços. O saneamento é o setor que mais demanda recursos hídricos e poderá ser regulado pelo instituto com a maior precisão e com a integração das políticas públicas de recursos hídricos e saneamento”, completou o deputado.

Fonte: Jornal do Estado

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Com baixa produção, Assembleias se unem para ganhar mais poder

Deputados prometem levar ao Congresso PEC que dá aos Estados atribuições hoje exclusivas da esfera federal

Silvia Amorim

Tamanho do texto? A A A A

As Assembleias Legislativas do País estão organizando uma ofensiva no Congresso em busca de mais poder para os Estados. Elas querem mudanças na Constituição para permitir que deputados estaduais e governadores legislem sobre temas que hoje são de competência exclusiva da esfera federal.

O movimento é encabeçado por duas entidades - o Colegiado dos Presidentes das Assembleias Legislativas e a União Nacional das Assembleias Legislativas (Unale). A expectativa é de que seja enviada no início do segundo semestre ao Congresso uma proposta de emenda constitucional que estende aos Estados o poder de formular leis sobre trânsito e transporte, direito agrário, diretrizes e bases da educação, propaganda comercial, licitação e matéria processual. Hoje esses temas somente podem ser tratados por iniciativas do governo federal ou do Congresso.

Os deputados argumentam que os parlamentos estaduais estão "comprimidos" entre a União e os municípios e atribuem, em parte, ao problema a baixa qualidade de sua produção. "Muitos projetos que fazemos são arquivados sob a justificativa de vício de iniciativa, porque não são de competência da Assembleia", diz o presidente da Unale, deputado do Tocantins César Halum (DEM).

A maioria dos projetos aprovados nos Estados diz respeito à criação de datas festivas e denominação de viadutos, pontes, postos de saúde, entre outros bens públicos. Há também a categoria dos curiosos, como projeto de um deputado paulista que prevê transferência da capital para o interior do Estado.

A tese de ampliação das prerrogativas dos Estados é bem vista por estudiosos dos Legislativos. Mas o discurso de que as restrições são as culpadas pela aprovação de projetos pouco representativos é rejeitado. "Me parece justa e democrática essa ampliação de competência, porque temos um federalismo deformado. Há uma hipertrofia da União e uma atrofia dos Estados e municípios", diz o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Octaciano Nogueira. "Isso não justifica projetos ruins. Falta maturidade ao Legislativo muitas vezes", destaca o cientista político e conselheiro da ONG Voto Consciente, Humberto Dantas.

O texto da PEC está pronto e circulando pelos Legislativos estaduais. A proposta é alterar quatro artigos da Constituição - 22, 24, 61 e 220. A fase agora é de aprovação do anteprojeto por cada um dos parlamentos. Para encaminhar a PEC ao Congresso, é preciso que mais da metade das Assembleias manifeste-se favoravelmente ao texto. Ou seja, no mínimo, 14 das 27. Até agora, 4 - Minas, Roraima Paraíba e Espírito Santo - aprovaram a proposta. Em Santa Catarina e Rondônia o texto está em tramitação. São Paulo coletará nesta semana assinaturas dos líderes para protocolar o texto que precisa ser votado.

"Esse projeto é de grande importância para valorizar os parlamentos estaduais, que foram tolhidos nas suas prerrogativas na Constituinte. Ele vai ao encontro do princípio federativo, da diversidade de realidades que temos no País", defende o presidente da Assembleia Legislativa de Minas e presidente do Colegiado das Assembleias, Alberto Pinto Coelho (PP).

RESISTÊNCIAS

Se os Legislativos conseguirem as adesões necessárias terão alcançado um feito inédito - encaminhar pela primeira vez, desde a Constituição de 1988, uma proposta em conjunto ao Congresso. Halum admite que, lá, poderá haver dificuldades. "Há um pouco isso de não perder poder e não dar espaço. Mas acho que nosso poder de pressão é maior hoje e temos que deixar claro que não vamos tirar prerrogativas da União, apenas estendê-las também aos Estados."

A busca por mais poder também tem se verificado no Congresso. No fim de 2008, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou a admissibilidade da PEC 95/2007, que estende a deputados e senadores a competência de legislar sobre temas que hoje são de iniciativa privativa do presidente da República. O texto segue tramitando.

Fonte:
O Estado de São Paulo